domingo, 12 de abril de 2009

Nos bastidores

Uma garota franzina com uma voz tímida me pergunta: “Esse é o Sorocaba?”. Ela estava na dúvida porque ele estava muito perto. Ficou nervosa. Com um sorrido de criança e um “Brilho no olhar” pedi-lhe um foto. Após ser atendida saltitou em direção de sua amiga, fazendo um sinal de positivo. Mais no canto, dois rapazes pediam ingressos para ver o show. Tinham vindo de Cornélio Procópio e não tinham dinheiro para comprá-los, mas ficaram satisfeitos em tirar uma foto com a dupla pé vermelha.
Como todo artista, aguardavam a orientação da produção para seguirem ao parque de exposição Ney Braga. Após feita a divisão de quem iria em tal carro, seguiram seu destino da noite. Na van da dupla estavam os pais e irmãs de Sorocaba e amigos em comum. Não é sempre assim, geralmente são como uma “Estrela solitária”, nesta vida de músicos. Fernando e Sorocaba tem um ao outro como “Companheiro” e podem dizer “ Minha paixão é a estrada”, nessa vida de cantores. No caminho fotos, risada, curtas histórias, gargalhadas e alguns instantes de silêncio. Em seus olhares dava para notar a anciosidade de chegar ao parque e ver o público.
Um dos receios da dupla era saber o número de pessoas no show, pois ontem era a final do BBB. Pensei, será que esse programa é tão bom assim que pessoas deixariam de sair de casa para ver que ficou milionário? Mas tudo bem! Durante o trajeto os únicos que viam tudo eram o motorista (lógico) e dois assistentes que estavam na frente. O carro estava com as cortinas fechadas.
“Friozinho na barriga sempre tem né!”, responde Sorocaba quando pergunto.
Chegando ao seu destino da noite de van e não de “Chevetão” a dupla de garotos é recebida por milhares de “Julianas” que gritam desesperadamente. Um dos “Sonhos” daquela noite não é ter “Ouro e Diamante”, mas sim chegar perto dos ídolos. Todos gostariam de dizer ao pé do ouvido para Fernando e Sorocaba:“Vem ficar ao meu lado”.
“Noite enluarada”, realmente perfeita para o show principal da feira. “Aqui a tristeza pula de alegria”. Uma imensa fila com pessoas altas, baixas, loiras(os), morenas(os), magrinhos, mais fofinhos, jovens de idade e jovens de coração aguardam sua vez para ficarem menos de um minuto lados dos músicos.
A porta do camarim abre e fecha sem parar. Fãs fazem à foto, dão um beijo e “Voltam lá pro seu lugar” para assistirem o show. Seguranças tensos, produção atrás de caneta pra autógrafos, muitos fotógrafos, entrevistas para programas de TVs, gravação de vinhetas para rádios, imagens para sites, muitos sorrisos beijos, abraços, autógrafos, flashs (nossa isso não falta mesmo!). Entre uma foto e outra eles exercitam os braços, o pescoço e até os músculos da face (também haja sorriso!).
Como o nome do disco diz, Vendaval, sim o local estavam um tremendo “Vendaval”.
Chegada à hora os dois sobem para o palco e entram como uma “Bala de prata”. Com a “Força de um furacão”, mais de 15 mil pessoas gritam de euforia ao ver os dois garotos no palco. Os pais e amigos ficam todos apertadinhos na lateral do palco, procurando não perder nenhum detalhe do show. Nos bastidores um corre-corre dos homens de preto(todos usam roupas dessa cor para não apareceram nas imagens) da produção, toalhas, água, arruma um fio daqui, cola um outro lá, confere-se a saída de som de um instrumento, olha a imagem do telão, luz colorida, gelo seco. São duas horas dessa maratona em um espaço milimetricamente pequeno para o tanta gente e equipamentos.
Durante o show muita irreverência com o público. As músicas falam para quem está “Procurando um amor” ou já tem “O amor”. Garotas ficam junto ao pé do palco gritando na esperança de receber um olhar, um aceno ou quem sabe um beijo distante. Faixas na cabeça com o nome da dupla, cartazes dizendo te amo ou simplesmente pedindo uma foto. Essa da foto se deu bem, ela conseguiu. Eles à viram em meio ao público e falaram que ela iria tirar a fotografia após o final do show. Ela saiu do meio da multidão e foi recebida por uma pessoa da produção. Enquanto acabava o show, ela se arrumava no cantinho de baixo do palco. Soltou o cabelo, retocou o baton, arrumou a blusa e esperou ansiosamente por seu momento. Podemos dizer que essa “Mulher do Paraná” saiu do “Inferno ao Paraíso” ontem à noite, vai ter muita história para contar sobre a sua ousadia em segurar durante mais de uma hora e quarenta minutos um pequeno cartaz. Fim do show, Fernando e Sorocaba voltam para o camarim e são recebidos por mais abraços, mas agora com a sensação de dever cumprido e orgulho no sorriso e de quem ficou duas horas em pé apertadinhos no canto do palco. O produtor os chama para conversarem em particular. Tomam água, suco e vão embora.
A “Luz da manhã” raia e os garotos seguem seu destino para outro show e tudo isso acontece novamente como se fosse uma “Máquina do tempo”.

Foto e texto: Olga Leiria

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