sábado, 9 de maio de 2009

No ritmo de Vanderlei


Um exemplo. É assim que Vanderlei Cordeiro de Lima sempre será conhecido. Natural de Cruzeiro do Oeste, interior do Paraná, sempre trabalhou com sua família nas lavouras de cana-de-açúcar, café, algodão e milho. Começou a correr por incentivo de seu professor de educação física, em Tapira (PR), e logo percebeu sua aptidão para o atletismo. A escolha pela maratona veio de forma natural.
Sua primeira vitória aconteceu em 1994, quando foi contratado para ser “coelho” na maratona de Reims, França. “Me sentia tão bem que venci a prova”, conta.
Vanderlei sempre foi um atleta de ponta de corrida de rua, mas ficou mundialmente conhecido em 2004, durante a maratona dos jogos Olímpicos de Atenas, quando o ex-padre irlandês Cornelius Horan atacou o atleta, que liderava a prova. Não desistiu e continuou atrás da sua medalha, conquistando o bronze. Por este motivo, o cineasta eslovaco Loyzo Smolinsky decidiu fazer o filme Marathon, que contará sua vida.
Mas aos 39 anos o atleta resolveu encerrar sua carreia como profissional no último dia do ano de 2008, na 84ª São Silvestre. “Acho que tive uma trajetória brilhante sob todos os aspectos: esportivo, moral, ético, financeiro. Me sinto um atleta realizado”, diz, ao se referir ao encerramento de sua trajetória profissional.
O fundista percorreu os 15 km acompanhado de aplausos calorosos, acenos, sorrisos, corações desenhados no ar e, claro, o alegre aviãozinho. Marcando a sua aposentadoria diz: “Um ciclo foi encerrado. Mas vou dar continuidade como amador, porque a corrida é minha vida”, afirma o atleta, que promete repassar suas experiência para os mais novos.
Sobre seus projetos para o futuro, Vanderlei afirma que pretende continuar correndo e praticando atividade física. “Não me vejo longe do esporte. Estou envolvido com o projeto da Vila Olímpica de Maringá e com o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima, com sede em Campinas.”
Quando o assunto é incentivo esportivo o corredor diz: ”O atletismo está crescendo, mas precisa de políticas sólidas de incentivo, pois atualmente o esporte vive de projeto privados”. E também comentou que se for chamado para trabalhar na área da política vai analisar a proposta. “Se for para o bem do esporte, independente do ambiente, quero contribuir de maneira positiva para fazer do esporte uma oportunidade para aqueles que sonham e desejam se tornar cidadãos saudáveis e felizes”.
No final da entrevista passa um recado não só para quem pratica esportes, mas para todos: “Acreditar sempre, desistir nunca”.

Texto: Olga Leiria
Foto: Robson França

domingo, 12 de abril de 2009

Vamos lá!!!


Quando falamos em São Silvestre nos vem à memória aquela imagem de um mar de corredores. Mas não imaginamos que as rochas desse mar são tão grandes e fortes quanto ele. Você já sabe o que é? A torcida. São homens, mulheres e crianças que ficam espremidos, esperando que seus conhecidos e anônimos atletas passem para soltarem seu grito de incentivo. Gritos de guerra como: “Feliz Ano Novo”, nomes de cidades, gritos de nomes de famosos, super-heróis e o mais-mais: “VAMOS LÁ”.
Câmeras fotográficas e celulares se emaranham junto da torcida.
Crianças ficam com os olinhos brilhando e as mãos esticadas à espera de um toque em suas pequeninas mãos, tendo assim participado da prova.
Uma mulher muda à função de sua mangueira naquela tarde. Ao invés de regar plantas ou lavar sua calçada, lava a alma e reforça o esforço e a persistência dos atletas que passam por ali.
Mais à frente um rapaz também muda a função do seu rádio. Coloca as caixas de seu aparelho para fora do seu apartamento, para dessa maneira, apoiar em alto e bom som os que passam embaixo da sua janela.
Após os primeiros terem encerrado sua prova, as estrelas de mar começam a chegar. Ao saírem da famosa e temida Brigadeiro frases são faladas em voz alta, mas já com tom de exaustão: “Obrigado Jesus, obrigado!”, “Pai, eu consegui, eu terminei, mais uma!”
A chegada é recheada de aplausos, ao ver os atletas passarem pela chegada é indescritível. A decisão de fazer a prova pode ser por muitos motivos, mas o objetivo é um só: TERMINAR.
Foto e texto: Olga Leiria

Nos bastidores

Uma garota franzina com uma voz tímida me pergunta: “Esse é o Sorocaba?”. Ela estava na dúvida porque ele estava muito perto. Ficou nervosa. Com um sorrido de criança e um “Brilho no olhar” pedi-lhe um foto. Após ser atendida saltitou em direção de sua amiga, fazendo um sinal de positivo. Mais no canto, dois rapazes pediam ingressos para ver o show. Tinham vindo de Cornélio Procópio e não tinham dinheiro para comprá-los, mas ficaram satisfeitos em tirar uma foto com a dupla pé vermelha.
Como todo artista, aguardavam a orientação da produção para seguirem ao parque de exposição Ney Braga. Após feita a divisão de quem iria em tal carro, seguiram seu destino da noite. Na van da dupla estavam os pais e irmãs de Sorocaba e amigos em comum. Não é sempre assim, geralmente são como uma “Estrela solitária”, nesta vida de músicos. Fernando e Sorocaba tem um ao outro como “Companheiro” e podem dizer “ Minha paixão é a estrada”, nessa vida de cantores. No caminho fotos, risada, curtas histórias, gargalhadas e alguns instantes de silêncio. Em seus olhares dava para notar a anciosidade de chegar ao parque e ver o público.
Um dos receios da dupla era saber o número de pessoas no show, pois ontem era a final do BBB. Pensei, será que esse programa é tão bom assim que pessoas deixariam de sair de casa para ver que ficou milionário? Mas tudo bem! Durante o trajeto os únicos que viam tudo eram o motorista (lógico) e dois assistentes que estavam na frente. O carro estava com as cortinas fechadas.
“Friozinho na barriga sempre tem né!”, responde Sorocaba quando pergunto.
Chegando ao seu destino da noite de van e não de “Chevetão” a dupla de garotos é recebida por milhares de “Julianas” que gritam desesperadamente. Um dos “Sonhos” daquela noite não é ter “Ouro e Diamante”, mas sim chegar perto dos ídolos. Todos gostariam de dizer ao pé do ouvido para Fernando e Sorocaba:“Vem ficar ao meu lado”.
“Noite enluarada”, realmente perfeita para o show principal da feira. “Aqui a tristeza pula de alegria”. Uma imensa fila com pessoas altas, baixas, loiras(os), morenas(os), magrinhos, mais fofinhos, jovens de idade e jovens de coração aguardam sua vez para ficarem menos de um minuto lados dos músicos.
A porta do camarim abre e fecha sem parar. Fãs fazem à foto, dão um beijo e “Voltam lá pro seu lugar” para assistirem o show. Seguranças tensos, produção atrás de caneta pra autógrafos, muitos fotógrafos, entrevistas para programas de TVs, gravação de vinhetas para rádios, imagens para sites, muitos sorrisos beijos, abraços, autógrafos, flashs (nossa isso não falta mesmo!). Entre uma foto e outra eles exercitam os braços, o pescoço e até os músculos da face (também haja sorriso!).
Como o nome do disco diz, Vendaval, sim o local estavam um tremendo “Vendaval”.
Chegada à hora os dois sobem para o palco e entram como uma “Bala de prata”. Com a “Força de um furacão”, mais de 15 mil pessoas gritam de euforia ao ver os dois garotos no palco. Os pais e amigos ficam todos apertadinhos na lateral do palco, procurando não perder nenhum detalhe do show. Nos bastidores um corre-corre dos homens de preto(todos usam roupas dessa cor para não apareceram nas imagens) da produção, toalhas, água, arruma um fio daqui, cola um outro lá, confere-se a saída de som de um instrumento, olha a imagem do telão, luz colorida, gelo seco. São duas horas dessa maratona em um espaço milimetricamente pequeno para o tanta gente e equipamentos.
Durante o show muita irreverência com o público. As músicas falam para quem está “Procurando um amor” ou já tem “O amor”. Garotas ficam junto ao pé do palco gritando na esperança de receber um olhar, um aceno ou quem sabe um beijo distante. Faixas na cabeça com o nome da dupla, cartazes dizendo te amo ou simplesmente pedindo uma foto. Essa da foto se deu bem, ela conseguiu. Eles à viram em meio ao público e falaram que ela iria tirar a fotografia após o final do show. Ela saiu do meio da multidão e foi recebida por uma pessoa da produção. Enquanto acabava o show, ela se arrumava no cantinho de baixo do palco. Soltou o cabelo, retocou o baton, arrumou a blusa e esperou ansiosamente por seu momento. Podemos dizer que essa “Mulher do Paraná” saiu do “Inferno ao Paraíso” ontem à noite, vai ter muita história para contar sobre a sua ousadia em segurar durante mais de uma hora e quarenta minutos um pequeno cartaz. Fim do show, Fernando e Sorocaba voltam para o camarim e são recebidos por mais abraços, mas agora com a sensação de dever cumprido e orgulho no sorriso e de quem ficou duas horas em pé apertadinhos no canto do palco. O produtor os chama para conversarem em particular. Tomam água, suco e vão embora.
A “Luz da manhã” raia e os garotos seguem seu destino para outro show e tudo isso acontece novamente como se fosse uma “Máquina do tempo”.

Foto e texto: Olga Leiria

Grandioso Bolshoi


Uma suave voz feminina, com sotaque catarinense anuncia: O espetáculo vai começar. Apagam-se as luzes com suavidade, abrem-se as cortinas. Grande. Como o próprio nome da companhia diz. (Bolshoi significa grande em russo). Uma apresentação grandiosa, recheada com lindíssimas danças, músicas envolventes, movimentos perfeitos, sorrisos encantadores e olhares realmente expressivos.
Tudo estava lá. Bailarinos e bailarinas deslizando seus movimentos sobre as ondas de notas musicais e iluminados por todas as cores.
A cada nova cena, as luzes e música nos remetem à sensação de estarmos em outro lugar. Viajando com os personagens na história do espetáculo. Expressões de carinho e romantismo são encenadas pelos bailarinos que representam seus personagens.
A arte realmente não é única. A apresentação da companhia não se baseou somente no balé clássico tradicional. Foi uma união de dança clássica, folclórica e moderna que encantou todos os que estavam diante do palco.
O espetáculo era duplo. No palco um show de movimentos delicados, que só podem ser feitos com muita força e destreza. Na platéia olhares que brilhavam como pequeninas pedras preciosas admirando cada movimento. Os sorrisos e as expressões de “noosssaa” e alguns gritos de “uhuhuh” tímidos em meio à platéia, admiravam a perfeição dos movimentos. O passo básico de uma bailarina, que é ficar na ponta dos pé realmente impressiona pela força e concentração que exige.
Ao terminar o show, pode-se levar uma lição para casa: “Para fazermos tudo o que queremos na vida, é preciso saber misturar força, sensibilidade, conhecer suas capacidades e limites sem temer os fracassos.”
Foto e texto: Olga Leiria